Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) – Você já ouviu falar?
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Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) – Você já ouviu falar?

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O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtorno mental grave, em que a pessoa portadora desse transtorno, age por impulsos agressivos de forma exagerada além do normal, muitas vezes incapacitante, ela não consegue controlar sua raiva, afetando não só a si mesmo, mas também a vida das pessoas que o cercam, seus relacionamentos interpessoais, familiares e profissionais. 

A pessoa com esse transtorno não consegue controlar seus impulsos agressivos, suas frustrações e ira, podendo causar grandes prejuízos devido a uma situação que lhe causou provocação ou grande frustração diante das coisas. Essa pessoa vive episódios frequentes de ataques de raiva sem medir as consequências de suas ações. Interpreta sempre tudo de forma negativa e extrema. Podendo, em alguns casos, ser interpretado de forma imaginária. Por exemplo: sentindo-se atacado em uma discussão ou reunião social, quando na verdade não aconteceu nenhum ataque. Este transtorno pode ter como consequência:  a perda de um emprego, suspensão escolar, dificuldades com seus relacionamentos em geral, acidentes com veículos, problemas conjugais, hospitalização devido ferimentos causados por brigas, socos em paredes, quebra de vidros e/ou envolvimentos com a polícia.

Tornando-se mais grave ainda se a pessoa ingerir bebidas alcoólicas mesmo em poucas quantidades. Em relação à sociedade, esta condição é considerada por diversas vezes um ato temperamental de um indivíduo que reage grosseiramente aos fatos, sendo levada em conta apenas a partir do momento em que começa a prejudicar a rotina do mesmo ou de terceiros. Apesar de existir na literatura há pouco mais de 30 anos, ainda é uma desordem mental bastante desconhecida.   
Segundo o DSM-5 o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o (TEI) está classificado como um tipo de Transtornos do controle dos impulsos (TCIs). Os distúrbios que compõe essa classe são: transtorno explosivo intermitente, cleptomania, piromania, jogo patológico, tricotilomania, transtorno de uso da internet, transtornos sexuais, compra compulsiva e conduta auto lesiva. 

Critérios de Diagnósticos:

  • A explosões de raiva característica do TEI são classificadas em dois tipos: “leves” ou “severas”. As chamadas explosões “leves” são ameaças, xingamentos, ofensas, gestos obscenos, ataque de objetos e agressões físicas sem lesão corporal. Elas precisam ocorrer com uma frequência média de 2 vezes na semana por um período mínimo de 3 meses. As explosões mais severas são: destruição de propriedade/patrimônio e ataques físicos com lesão corporal e precisam acontecer ao menos 3 episódios dentro do período de um ano.
  • A magnitude de agressividade expressa durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.
  • As explosões de agressividade recorrente não são premeditadas (ou seja, são impulsivas e / ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (por exemplo, dinheiro, poder, intimidação).
  • As explosões de agressividade recorrentes, causam sofrimento acentuado ao indivíduo, prejuízo no funcionamento profissional, interpessoal, onde estão associadas a consequências financeiras ou legais.
  • A idade cronológica é de pelo menos 6 anos (ou nível de desenvolvimento equivalente).
  • Os ataques agressivos não são devidos ao uso de substâncias (ex. álcool, drogas, medicamentos) e nem devido a qualquer outra condição psicológica (ex. transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, transtorno psicótico, transtorno de personalidade antissocial, transtorno de personalidade borderline) ou médica (ex. traumatismo craniano, doença de Alzheimer).

Por quais razões o Transtorno Explosivo Intermitente se desenvolve?

  • Não existe uma causa única para o desenvolvimento do TEI –Transtorno Explosivo Intermitente.
  •  Há fatores biológicos, sociais, ambientais e psicológicos. 
  • É frequente encontrarmos membros das famílias dos portadores de TEI também com o transtorno. Muitas vezes esses indivíduos vêm de famílias instáveis, nas quais estão presentes a dependência do álcool e/ou drogas, explosões verbais e abusos físicos e emocionais. 

Os sintomas do TEI

Os acontecimentos provocadores e as contingências associadas aos comportamentos, passam muitas vezes sem serem notados pela observação direta. Pode parecer que não há estímulos precipitantes, mas o próprio comportamento é reforçador, pois a estimulação aversiva (mal-estar,desconforto, forte tensão na cabeça, dores musculares, entre outras) geralmente precede às explosões. O reforço negativo é produzido quando ocorre a resposta de fuga destes estados internos aversivos. A própria conduta (explosão) é o reforço. Ao se pesquisar a natureza de uma agressão real ou de atos agressivos, deve-se organizar uma avaliação sistematizada, no sentido de se encontrar elementos que possam melhor caracterizar estes acontecimentos. 


Um diagnóstico de Transtorno Explosivo Intermitente somente é feito depois de excluir outros transtornos mentais, que poderiam explicar os episódios de comportamento agressivo, como é o caso do Transtorno da Personalidade Antissocial, Transtorno da Personalidade Borderline, Transtorno Psicótico, Episódio Maníaco, Transtorno da Conduta ou Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade 


Como identificar se tenho esse problema?

  • Você explode pelo menos 2 vezes por semana?
  • Seus comportamentos agressivos são desproporcionais aos fatos que os geram?
  • Você NÃO costuma premeditar seus comportamentos agressivos?
  • Após as explosões você costuma sentir vergonha, culpa, arrependimentos, tristeza?
  • Você costuma jogar ou quebrar objetos independentemente de seu valor?

Como tratar?

Para psiquiatras e psicólogos, esta desordem pode passar despercebida, especialmente quando está correlacionada com outros transtornos, ou mesmo quando os pacientes não consideram as explosões agressivas como doentias. 
Para ajudar pessoas com esse tipo de comportamento e amenizar esses ataques de raiva, é necessário que a leve a um profissional de saúde mental, para avaliar a necessidade de uma medicação específica para seu caso. A psicoterapia está também associada ao tratamento.
Enfim, o essencial é estar consciente de que este problema existe. Procurar ajuda especializada é o melhor caminho, possibilitando aprender a  controlar os ataques de raiva intensos e melhorar a sua própria qualidade de vida e das pessoas que você ama. A raiva é importante para a nossa sobrevivência , mas é um prejuízo quando não se sabe administrá-la de forma  sadia.
Busque ajuda sempre que necessário, assim que perceber estes sintomas intensos e prejudiciais a você. Então verá que poderá ter uma vida feliz e assim atitudes mais coerentes à situações da vida.

Um grande abraço pra todos até o próximo texto…..

Simone F. D.S. Souza

CRP 06 / 73969




Este post tem 3 comentários

  1. Patricia

    Parabéns pelos esclarecimentos. Ajuda demais!

  2. Simone

    Adorei! ajudou muito. Super direto e informativo. pelo trabalho!

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