Ansiedade .: Há esperança?  Há algo que possamos fazer?

Ansiedade .: Há esperança?  Há algo que possamos fazer?

Como indivíduos, temos de fazer opções quanto ao modo como vamos lidar com essa situação. Também temos oportunidades que não costumávamos ter. A psicologia moderna aprendeu muito sobre a ansiedade nas últimas décadas. Sabemos muito mais do que sabíamos sobre a origem da ansiedade, o modo como ela opera no cérebro e a natureza dos padrões comportamentais que ela gera. Tudo isso pode ajudá-lo a entender o papel que a ansiedade desempenha em sua vida. E compreender esse papel é fundamental para superar a ansiedade – e não eliminá-la completamente. Mas todos nós aprendemos a neutralizá-la, controlá-la e impedi-la de ser uma força debilitante que restringe nossa saúde e liberdade. Compreender a ansiedade, em poucas palavras, é a maneira de escapar de sua tirania. 

A primeira coisa a entender acerca da ansiedade é que ela é parte de nossa herança biológica. Muito antes de qualquer registro da história humana, nossos ancestrais viviam em um mundo repleto de perigos que ameaçavam suas vidas: predadores, fome, plantas tóxicas, vizinhos hostis, alturas, doenças. Foi em face desses perigos que a psique humana evoluiu. As qualidades necessárias para evitar o perigo foram as qualidades desenvolvidas em nós pela evolução. Uma boa quantidade dessas qualidades dizia simplesmente respeito a formas diferentes de precaução. O medo tinha a função de proteger; tínhamos de estar atentos às fobias. Esses medos eram adaptativos de fato, instintos de sobrevivência, provenientes de tempos primitivos. 

Por não mais vivermos naquele mundo primitivo, os medos que trouxemos dele não são mais adaptativos. Graças, em grande parte, aos efeitos da linguagem e da civilização, os desafios que encontramos em nossas vidas são bastante diferentes daqueles que nossos ancestrais encontravam nas savanas ou nas florestas. Ainda assim, nossos cérebros continuam a funcionar como se nada tivesse mudado. Somos dominados pelo instinto de correr de um jaguar faminto quando o que temos diante de nós pode ser apenas um cachorro latindo. Temos medo de tocar no prato que alguém usou porque nossos ancestrais tinham uma saudável aversão à comida contaminada. Sentimo-nos patologicamente retraídos porque, em outra era, um estranho podia facilmente nos matar; até mesmo um membro de nossa própria tribo poderia nos causar algum mal se fosse ofendido. Quando se trata de nossos instintos mais profundos, agimos como se estivéssemos ainda na Idade da Pedra, enfrentando as mesmas condições de então.

Estamos, em poucas palavras, agindo de acordo com um conjunto de “regras” ultrapassadas. A evolução programou essas regras em nós como um meio de nos proteger de riscos. Tais regras são como uma espécie de software humano instalado em nossas cabeças – um software que tem milhões de anos. Todo instinto que temos nos diz que obedecer às regras nos manterá a salvo, quando talvez o contrário seja verdade. Nosso método de nos libertarmos da tirania da ansiedade será o de questionar tais regras – na verdade, reescrevê -las. Isso implicará o exame das crenças irracionais em que se baseiam tais regras, pois essas crenças, quando não questionadas, exercem uma influência oculta, mas enormemente poderosa, sobre nossos pensamentos e nossos comportamentos.

Depois de questionarmos essas crenças, poderemos começar a revisar as regras que controlam a ansiedade, muito embora estejam profundamente enraizadas em nossa mente. Como conseguiremos fazer isso? Ocorre que a natureza, além de nos dar alguns instintos, também nos dá a capacidade localizada, em sua maioria, em uma parte diferente de nossos cérebros, a parte que chamaremos de racional de modificar esses instintos com base em nossa experiência .

Essa é a chave para tratar a ansiedade. Não é o mesmo que “ser racional” quanto a nossos medos. Isso não funciona: sabermos ou nos dizerem que um medo é irracional não o faz ir embora. Entretanto, se pudermos de fato experimentar uma situação aparentemente perigosa repetidas vezes, mas sem consequências danosas, nossos cérebros aprenderão a ser mais racionais e menos apreensivos. 

Acontece a todo momento na vida. Tudo o que é preciso é criar um programa em que possamos, regularmente, ter uma experiência que cause medo, mas em um contexto que nos ensine que estamos seguros. Assim, ao longo do tempo, aprenderemos a diminuir nossos medos. 

Um grande abraço pra todos até o próximo texto…..

Simone F. D.S. Souza

CRP 06 / 73969

Este post tem 6 comentários

  1. Patricia Razza

    Texto esclarecedor e que indica um horizonte.
    Quem sofre de ansiedade poderá iniciar uma maior compreensão de si mesmo.
    Beijos

  2. Jane Silva

    Muito relevante tratar desta questão na atualidade…..sucesso minha querida….

  3. Willian Rodrigues

    É o que eu aprendi, sempre manter a calma mesmo em momentos de desespero e medo, graças as terapias. Belo artigo!

  4. Renato

    Parabéns Simone! Ótimas dicas

  5. Cida

    Simone, parabéns pelo texto. Achei bem bacana essa informação de que “Sabermos ou nos dizerem que um medo é irracional não o faz ir embora”. A pessoa precisa se conhecer e compreender sua ansiedade para conseguir lidar com ela.

  6. Susy

    Muito bem colocado ! A chave é aprender a lidar com a ansiedade!!

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