Ansiedade e suas ligações

Ansiedade e suas ligações

Quando pensamos em ansiedade já começamos a conectar muitos fatos que entra em conexões com preocupações do cotidiano.

Da mesma forma que a depressão clínica é muito mais grave do que o fato de algumas pessoas às vezes se sentirem “ para baixo”, a ansiedade clínica é muito mais grave pois está sujeito às preocupações do nosso dia a dia.  A verdade é que a ansiedade é algo sério. Se você sofre de ansiedade, a chance é de que isso tenha um grande impacto sobre a sua vida. As pessoas com transtornos de ansiedade frequentemente se descobrem incapazes de trabalhar de modo eficaz, de ter uma vida social, de viajar ou de ter relações estáveis. Elas podem passar deliberadamente por todo tipo de manobras, somente para evitar encontrar certas pessoas, locais e atividades, inclusive dirigir um carro, viajar de avião e entrar em elevadores. Podem não conseguir enfrentar multidões, participar de reuniões sociais, estar em espaços aberto . Em geral, não conseguem dormir bem. Algumas delas se tornam socialmente reclusas ou caseiras. Em casos extremos, um transtorno de ansiedade precisará de hospitalização. 

Para quem realmente sofre de ansiedade, a condição vai bem além de se atormentar com o imposto de renda ou de ter medo de aranhas. Trata-se de uma doença real e duradoura, que tem consequências impactantes sobre a vida da pessoa. Mas o problema não termina aí. Quem sofre de um transtorno de ansiedade têm maior tendência a se tornar clinicamente deprimido, dando a impressão de sofrer de duas condições debilitantes. 

O transtorno tem sido associado a problemas cardíacos, hipertensão, desconforto gastrointestinal, doenças respiratórias, diabete, asma, artrite, problemas de pele, fadiga e uma série de outras condições. A ansiedade afeta cerca de 16% das crianças, causando impacto significativo sobre seu desenvolvimento. As crianças com transtorno de ansiedade têm mais problemas na escola (tanto acadêmicos quanto sociais) e muito mais chances de se tornarem adultos com problemas psicológicos. 

A ansiedade, diferentemente de outras doenças mais modestas, é uma condição que causa impactos graves sobre a saúde e o bem-estar, em termos gerais.   Ainda que bastante fora das estatísticas oficiais, milhões de pessoas que sofrem de sintomas de ansiedade sejam estes diagnosticados como “transtornos” ou não – consultam os profissionais da medicina das mais diversas áreas, com reclamações relativas à ansiedade. Ninguém consegue definir ao certo o peso que isso tem sobre o sistema de saúde. Mas não há dúvida de que o estresse que sentimos como indivíduos é percebido como um estresse coletivo da sociedade como um todo.

Os índices de ansiedade geral aumentaram significativamente nos últimos 50 anos. Por que esse aumento? Não estamos melhor do que no passado? As pessoas não vivem mais tempo e recebem mais tratamentos médicos do que antes? Muitos dos riscos comuns da vida não foram eliminados ou drasticamente reduzidos ? Nossas casas estão repletas de aparelhos que facilitam nossas vidas e nos livram de trabalhos mais duros e perigosos?

Qualquer pessoa pensaria que, pelo fato de nossa sociedade nos manter, no geral, hoje, mais protegidos, que nosso nível geral de ansiedade teria diminuído. Na verdade, esse nível aumentou.  Transformamo-nos em uma sociedade de pessoas muito nervosas. O que explica isso?

Aparentemente, há outros fatores, além do conforto material e da segurança. Um deles parece ser o nível de “conexão social” que experimentamos em nossas vidas. Ao longo do último século, nossos laços com outras pessoas passaram a ser menos estáveis e previsíveis. O divórcio é muito mais comum, e as famílias estão divididas e espalhadas. As chamadas famílias estendidas, em que as pessoas de um mesmo grupo familiar vivem juntas ou perto umas das outras, hoje é algo raro. As comunidades locais se tornaram muito menos coesas, dispersas pela mobilidade econômica, pelas estradas.

A participação nas atividades da comunidade é só um pálido reflexo do que foi um dia. As cidades e os subúrbios substituíram as cidades pequenas; as pessoas estão mais isoladas de seus vizinhos. Cada vez mais pessoas vivem sozinhas. Em muitos lugares, o crime aumentou; as ruas não são mais locais seguros. O terrorismo parece ser uma ameaça real. Como  a globalização e a competição econômica se intensificaram, a segurança no emprego diminuiu; pessoas são dispensadas de seus trabalhos de maneiras que pareceriam impensáveis há uma geração. Muitas pessoas não podem mais contar com pensões ou aposentadorias adequadas na velhice. Todos esses fatores contribuem para o sentimento de que a vida não é mais tão segura quanto já foi. O apoio da “tribo”, de que a evolução nos acostumou a ser dependente, não está disponível como antes.

Essas mudanças também têm estado acompanhadas de mudanças no modo como pensamos sobre nossas vidas. Nosso senso de autoconfiança deu espaço ao sentimento de que somos controlados por forças maiores distantes, cujos mecanismos são apenas obscuramente conhecidos. Ao mesmo tempo, nossas expectativas em relação ao conforto material aumentou por causa da riqueza, em função de nossas novas identidades como consumidores, e não como cidadãos ou membros de uma comunidade. 

Estamos em melhor condição material do que nossos pais e avós, mas sempre queremos mais. Esse sentimento é reforçado por uma infinidade de anúncios na TV e em revistas que demonstram o quanto nossas vidas seriam prazerosas se comprássemos os produtos certos, as comidas certas, as roupas certas. Quanto mais ligados estivermos em uma vasta rede de consumo, mais solitários nos sentiremos. Como a economia nos oferece um número cada vez maior de opções, tornamo -nos cada vez menos contentes, perguntando a nós mesmos se nossas escolhas foram corretas. 

Nossos padrões de beleza, nossas expectativas de sucesso e nossa demanda por uma felicidade contínua e incansável nos deixam insatisfeitos com um mundo no qual ficamos cada vez mais gordos por comermos comida rápida de má qualidade e por usarmos instrumentos que nos poupam da movimentação física, um mundo em que nosso tempo para lazer é cada vez mais esvaziado e em que compramos, desesperadamente, um livro de autoajuda atrás do outro em busca de um sentido e de felicidade.

Um grande abraço pra todos até o próximo texto …

Simone Souza

 

Este post tem 3 comentários

  1. Renata Alves

    Si…Parabéns …sucesso sempre…
    Esse texto é otimo realmente ansiedade é uma condição que limita a pessoa no dia a dia e precisa ser tratada.

    Bjs

    Renata

  2. Willian Rodrigues

    Muito bom seu artigo Simone. Ele poderá trazer ajuda a pessoas que ainda não conhecem esse tipo de problema que afeta cada dia mais o ser humano.

  3. Regiane

    Amei o texto, já valeu uma boa reflexão. Amei também a página. 🙏🏼 Sucesso pra você.

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